npub196…q9gyj on Nostr: A VIDA É A CARNAVAL A canção mais alegre da América Latina nasceu de um atentado. ...
A VIDA É A CARNAVAL
A canção mais alegre da América Latina nasceu de um atentado.
A 18 de julho de 1994, uma bomba destruiu a AMIA em Buenos Aires. Dias depois, um compositor argentino que vivia em Caracas, Víctor Daniel, viu na televisão uma mulher que tinha perdido a família inteira na explosão. Contou que quis consolá-la através do ecrã, dizer-lhe que ninguém está sozinho. Sentou-se ao piano e escreveu La vida es un carnaval.
Gravou-a primeiro com uma orquestra na Venezuela e decidiu não a lançar. Esperou quatro anos que aparecesse a voz certa. Sempre que toca numa festa, alguém está a responder a uma mulher que perdeu tudo.
A voz que ele esperava era a de uma mulher negra, pobre e cubana. Celia Cruz nasceu em 1925 em Santos Suárez, um bairro operário de Havana. O pai, Simón, era foguista de caminhos de ferro: o que deita carvão no fogo da locomotiva. Naquela casa viviam catorze pessoas com um único salário modesto. Era a segunda de quatro irmãos e cabia-lhe adormecer os mais pequenos a cantar. Foi assim que aprendeu a cantar: a trabalhar.
O pai queria que fosse professora e ela estudou para isso para não o desiludir. Desistiu antes de acabar.
Quando ouves aquele vozeirão, estás a ouvir a filha do foguista. Não aprendeu a projetar num conservatório. Aprendeu a embalar crianças numa casa cheia.
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