❦Resenha: Antologia Hotel Fantástico 2024❦
Resenha Por: Felipe Lohan Pinheiro da Silva
***
•Prefácio – (Marcelo Henrique Pereira, também autor do conto «Quarto 171») – Temos um texto totalmente desnecessário aqui. Fala de pássaros sebitos («cambacica» – nome científico «Coereba Flaveola») tomando banho num recipiente improvisado pela esposa do autor, com direito a QRCode com o link do vídeo dos pássaros se banhando; queimadas criminosas; censura contra arte, violência contra a diversidade, e perseguição ideológica; a fumaça da queimada de livros. O autor cita o «Farenheit 451» pra tanto, por mais que seu autor, Ray Bradbury ja tenha explicado que a obra não é acerca da censura, mas sim uma alegoria pro desintesse em leitura das gerações mais jovens. É estranho ler todo esse discurso quando, no Brasil, os grupos que clamam por diversidade são os primeiros a ter uma postura int[olera/ransige]nte contra a opinião alheia.
Resumo da ópera: o prefácio mais parece uma peça de propaganda ideológica, totalmente desconectada do tema da ficção especulativa.
•Quarto † (Cruz) – David Nordon – Um conto ok. Me lembrou a obra «Xadrez Com A Morte Do Lado Escuro Da Lua» (por Athos Beuren), e o filme «O Sétimo Selo» («Det Sjunde İnseglet», ou «The Seventh Seal», por İngmar Bergman)
•Quarto 8 – Luciane Lopes – Um conto ok, apesar de que o fato de le ser muito abstrato ou filosófico prejudicou um pouco.
•Quarto 9 – Luan Leite Freitas – Um conto ok.
•Quarto 10’001 – Roger Dörl – Um conto ok. O fato do protagonista ter que bater pedrinhas (provavelmente pederneiras) pra acender a lareira dum quarto de hotel tão cheio de recursos me pareceu meio estranho, mas nada que realmente prejudique a leitura.
•Quarto 13 – Ayumi Teruya – Um conto ok. Porém, nunca é explicado quem ta colocando as armadilhas mágicas no quarto, ou porque isto é feito.
•Quarto 14 – Evelyn Nunes Westphal – Substituiu os humanos por aves, da mesma forma que aconteceria numa fábula. Porém, isso foi desnecessário, pois não faria diferença alguma se a estória fosse contada com humanos mesmo.
•Quarto 15 – Vinícius Nunes De Lima – Um conto ok.
•Quarto 15/3 – Lari Alcântara – Ao ver um monte de seres fantásticos zanzando pelo hotel, não pude deixar de lembrar do termo «fantasy kitchen sink» («pia de cozinha de fantasia», literalmente, termo usado pra quando diversos elementos de fantasia são atulhados na mesma obra), e do filme «Annabelle Comes Home» («Annabelle: De Volta Para Casa», onde diversos elementos sobrenaturais são atulhados na mesma casa).
Além disso, é preciso questionar: ¿ porque diabos a Loira Do Banheiro não deu as informações completas pra Fabiana («Fabi») acerca do risco que ela corria logo durante a primeira interação entre elas?
•Quarto 71.4 – Kamila Godoy – Um conto ok, apesar de que o conteúdo altamente psicológico ou filosófico faz com que ele possa não agradar a todos os leitores, similar ao conto «Quarto 8» da mesma antologia.
•Quarto 108’ – Rodrigo Ortiz Vinholo – Um conto ok.
•Quarto 171 – Marcelo Henrique Pereira (também autor do prefácio, veja acima) – Um conto com um desfecho inusitado e interessante. O ponto a se notar (não tenho certeza se isso é bom ou ruim) é a forma não ortodoxa da narrativa, onde o narrador se refere ao leitor como «você», como se o leitor fosse o próprio protagonista da estória.
•Quarto 384 – Bruno Sower – Um conto acima da média. Porém, como ressalva, o elemento de «eletrônicos não funcionam nesta dimensão» prejudicou um pouco.
•Quarto 404 – Cadu Xavier – Um conto ok.
•Quarto 902 – Aline Pereira De Paula – A mesma questão do conto «Quarto 15/3», dos elementos de ficção especulativa sobrepostos. A frase «Essa mania que se tem de encolher para caber na vida do outro» me lembrou a letra da música «90% De Putaria 10% Pro Amor», do MC Saci: «(...) tentei ser outra pessoa, mas ela não deu valor».
Há no conto uma crítica social barata contra humanos, que são «chatos» simplesmente por serem politizados. Engraçado: se as pesoas não querem saber de política, são «alienadas»; se são politizadas, são «chatas»; é difícil agradar aos escritores e intelectuais brasileiros. Na verdade, o que é chata é a agenda política disfarçada empurrada em vários pontos do livro.
•Quarto 1’001 – Leonardo Sartori Menegatto – Um conto ok. O fato de que Afonso parou de ter vontade de fumar quando voltou a ser criança pode ter sido (especulação minha) uma decisão do autor, ou editorial, pra evitar fazer apologia ao fumo pra crianças. İsso me fez lembrar da cena da série Chaves («El Chavo Del Ocho»), onde a personagem Dona Florinda diz: «induzindo meu filho ao vício».
[Nota explicativa: Na série de comédia mexicana «El Chavo Del Ocho», há um episódio em que o personagem Seu Madruga («Don Ramón») empresta um cigarro pras crianças, pra elas fazerem um truque em que uma delas usaria um yo-yo pra acertar o cigarro preso na orelha de outra. Dona Florinda, num mal-entendido, pensa que o cigarro seria pras crianças fumarem. Então ela bate em Seu Madruga, dizendo, «induzindo meu filho ao vício».]
•Quarto 1’518 – Lucas Samuel – Um conto bobo e descartável. Abaixo da média; nem o protagonista tem agência alguma sobre o enredo, nem o conto explica a origem da maldição do quadro, ou como alguém faria pra se livrar da maldição.
•Quarto 1’818 – Osmar Ferreira – Um conto acima da média, baseado na obra «Frankenstein» (por Mary Wollstonecraft Shelley), e com um final inesperado.
•Quarto Ⲫ – Priscila Gerolde («P. G.») Gava – Um conto que empurra uma agenda ambientalista pra cima do leitor. Desnecessário como o prefácio do livro. Não há motivo pra este conto tar nessa antologia, pois o fato dele se passar num hotel parece algo meio forçado. Se ele se passasse num galpão, cabana no meio do nada, casa no meio duma ilha, etc., não faria diferença alguma.
As novidades interessantes ficam por conta do fato da matilha de lobisomens ter sido ser «forçada» (nas palavras do conto) a se retirar pra «Feéria» (a terra feérica, também conhecida no inglês como Fairyland), e a existência de agentes «híbridos» (nas palavras do conto) chamados de «transfeéricos», que podem viver no mundo físico sem definhar fisicamente.
•Lote 131 – João Victor Carpinelli Machado – Um conto ok; ele tem a mesma questão que relatei nos contos «Quarto 15/3» e «Quarto 902».
O conto fala de fezes de licantropos; isso me fez lembrar do Livro «A Arte De Abater Anciões» (por Fábio Ochôa).
•Veredito: ★★★☆☆ (06/10)
Não se enganem, este hotel merece apenas três estrelas, e eu to sendo generoso nesta classificação.
Comentário Bônus: A seção com as informações acerca dos autores, no final do livro, é chamada de «Autorias», em vez de «Autores». Tal troca de termos costuma ser típica daquela mesma militância que e que usa o controverso «todes», e que reclama do fato de que, na língua portuguesa, o masculino é o padrão de muitos plurais de gênero misto. Especulo que este possa ser o caso.
***
#Hotel_Fantastico_2024
#HotelFantastico2024
#Editora_Fantastica
#EditoraFantastica
***
https://editorafantastica.com.br/produto/hotel-fantastico-vol-2024
https://www.catarse.com.br/hotelfantastico2024