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2026-08-26 11:09:10 UTC

L on Nostr: Há uma diferença entre não sentir Deus sendo ateu e não sentir Deus sendo ...

Há uma diferença entre não sentir Deus sendo ateu e não sentir Deus sendo cristão — e essa diferença, para mim, tornou-se profundamente existencial.

Quando eu era ateu, eu também experimentava, às vezes, um certo vazio. Havia momentos de niilismo, de falta de sentido, de questionamento sobre o valor das coisas. Mas esse vazio ainda podia ser preenchido por outras respostas: se não existe vida após a morte, talvez devêssemos valorizar mais intensamente esta vida; se não existe um sentido objetivo dado por Deus, talvez devêssemos construir algum sentido para nós mesmos. Eu podia não considerar essas respostas definitivas, mas elas pertenciam ao mesmo horizonte dentro do qual eu pensava.

Depois, porém, aconteceu algo diferente.

Minha aproximação com Deus começou pela razão. Antes de existir uma experiência propriamente religiosa, existia uma investigação intelectual. Eu passei a considerar racionalmente a existência de Deus, até chegar à convicção de que a realidade transcendente não era apenas uma possibilidade abstrata. Mas, em algum momento, minha fé deixou de ser apenas uma conclusão intelectual. Houve uma experiência do sagrado, do divino, do transcendente — especialmente na oração — que não consigo reduzir simplesmente a uma sensação psicológica comum.

Não era necessariamente uma sensação de “sentir-me amado”, de sentir-me acolhido ou de experimentar alguma emoção específica. Era algo mais profundo e difícil de explicar. Algo que parecia ultrapassar as categorias psicológicas habituais. Ao rezar o Terço e dirigir-me a Cristo por meio de Maria, havia uma profundidade que eu não conseguia traduzir em conceitos. Não era apenas pensar que Jesus Cristo é Deus. Não era apenas acreditar que Maria é sua Mãe. Era uma espécie de percepção da realidade religiosa em uma dimensão que a linguagem parece incapaz de capturar.

E talvez seja justamente por isso que a ausência dessa experiência possa doer tanto agora.

Eu não estou simplesmente procurando acreditar em algo no qual nunca encontrei razão para acreditar. Eu já passei por esse caminho. Minha razão me levou até aqui. Minha fé se tornou, em grande parte, uma fé racionalmente fundamentada. Mas agora existe algo além da própria racionalidade: existe a experiência da transcendência.

E isso produz um conflito.

Porque meu intelecto quer compreender.

Ele quer entender a Trindade. Quer entender a Encarnação. Quer entender a Ressurreição. Quer entender como Cristo pode estar realmente presente na Eucaristia. Quer compreender a transubstanciação. Quer saber como uma Virgem pode conceber. Quer transformar os mistérios da fé em algo que possa ser inteiramente apreendido pela inteligência.

Mas não consegue.

E isso dói.

Não porque eu considere a fé irracional. Pelo contrário. Talvez justamente porque eu a considere racional o suficiente para levá-la a sério. Eu consigo chegar a Deus pela razão, mas, quando chego diante do mistério, descubro que Deus não cabe dentro dela.

E isso é extremamente difícil para alguém que deseja compreender.

Talvez Deus não seja irracional, mas supra-racional. Não há necessariamente uma contradição nos mistérios da fé; há uma realidade que ultrapassa a capacidade humana de compreendê-la completamente. Eu posso saber que uma coisa é verdadeira sem conseguir esgotar intelectualmente aquilo que ela significa.

Posso saber que Deus é Trindade sem conseguir compreender plenamente como três Pessoas são um único Deus.

Posso crer na Ressurreição sem conseguir imaginar como é possível que um corpo morto ressuscite.

Posso crer na presença real de Cristo na Eucaristia sem conseguir compreender, com minha inteligência limitada, toda a profundidade daquilo que acontece.

Posso crer sem compreender completamente.

E é aí que surge aquela sensação estranha de “eu creio, mas não consigo crer”.

Porque, no fundo, eu creio. Mas existe uma parte de mim que continua exigindo uma compreensão que talvez nenhuma criatura humana possa alcançar.

Quando eu era ateu, a ausência de Deus podia ser dolorosa, mas ainda havia uma certa simplicidade: eu não acreditava. Agora é diferente. Eu não consigo simplesmente retornar àquela posição, porque já atravessei intelectualmente e existencialmente a porta da fé.

O problema deixou de ser apenas “Deus existe?”.

Agora é: “Deus existe. Cristo é Deus. A transcendência é real. Então por que eu nem sempre consigo percebê-la?”

O ateu pode não sentir Deus porque não acredita que Deus esteja ali.

Eu posso não sentir Deus justamente enquanto acredito que Ele está ali.

E talvez essa seja uma dor muito mais difícil de explicar.

Porque não é simplesmente ausência de crença. É uma espécie de distância entre aquilo que meu intelecto afirma, aquilo que minha fé professa, aquilo que minha experiência espiritual já me permitiu vislumbrar e aquilo que consigo efetivamente sentir ou compreender no presente.

Talvez eu esteja tentando transformar Deus em objeto da minha própria inteligência. Talvez eu queira possuir intelectualmente aquilo que só posso conhecer parcialmente. Talvez uma das maiores dificuldades da fé seja justamente aceitar que conhecer Deus não significa compreendê-Lo completamente.

Eu posso conhecer uma verdade sem possuir toda a realidade que ela aponta.

Posso conhecer Deus sem esgotar Deus.

Posso amá-Lo sem compreendê-Lo.

Posso crer sem sentir.

E talvez até possa continuar crendo quando não sinto absolutamente nada.

Isso não significa que minha experiência anterior tenha sido falsa. Tampouco significa que minha fé atual seja necessariamente mais fraca. Talvez signifique apenas que estou aprendendo que Deus não pode depender da minha experiência psicológica para ser Deus.

A experiência pode vir e desaparecer.

A emoção pode surgir e desaparecer.

A sensação de proximidade pode surgir e desaparecer.

Mas a realidade não depende da intensidade com que consigo percebê-la.

Talvez exista uma maturidade da fé que consista justamente nisso: primeiro encontrar Deus e experimentar, ainda que brevemente, algo de Sua presença; depois aprender a permanecer diante d'Ele mesmo quando não há sensação alguma que confirme aquilo interiormente.

E talvez seja justamente aí que a fé se torne mais difícil.

Quando sinto, é fácil dizer: “Deus está aqui.”

Quando não sinto nada, preciso dizer: “Eu ainda creio que Deus está aqui.”

Não porque abandonei a razão, mas porque reconheci que a razão não é o horizonte inteiro da realidade.

Minha razão me levou até Deus.

Minha experiência me fez vislumbrar algo de Deus.

E agora minha própria razão está sendo obrigada a reconhecer que não pode conter Deus.

Talvez essa seja a contradição aparente que mais me dói: eu quero compreender Aquele em quem acredito, mas quanto mais seriamente acredito, mais percebo que Ele é infinitamente maior do que minha capacidade de compreendê-Lo.

E talvez eu não esteja deixando de crer.

Talvez eu esteja simplesmente descobrindo, dolorosamente, o que significa crer em algo que não pode ser reduzido àquilo que minha própria mente consegue abarcar.

Utilizei inteligência artificial para escrever isto, pois sou incompetente para colocar tal realidade em palavras.