A **Torá é anterior a 1 Enoque**.
Gênesis pertence à tradição do Pentateuco, cuja forma final é geralmente situada nos séculos VI–V a.C. Já 1 Enoque é uma coleção posterior, com suas partes mais antigas geralmente datadas dos séculos III–II a.C.
Em Gênesis, a sequência é clara: **Adão e Eva → Éden → transgressão → expulsão → multiplicação da humanidade → “filhos de Deus” tomam mulheres humanas (Gn 6:1–4).**
Portanto, **dentro da narrativa bíblica**, o episódio dos “filhos de Deus” acontece depois da saída do Éden.
Gênesis, porém, não chama esses seres de “anjos”. Essa identificação é desenvolvida posteriormente na tradição judaica, especialmente em **1 Enoque 6–11**, onde eles são chamados de **Vigilantes**: seres celestiais que descem à Terra, tomam mulheres humanas e geram os gigantes.
Quanto a **Adapa**, o mito mesopotâmico é muito mais antigo e apresenta um sábio humano que entra em contato com o mundo divino e é levado à presença de Anu. É um paralelo interessante, mas não prova que Adapa seja Adão nem que “anjos” tenham descido para tomar mulheres.
Então, historicamente, podemos afirmar: **Mesopotâmia → Torá/Gênesis → 1 Enoque**
Há paralelos entre essas tradições, mas não da para transformar esses paralelos em uma linha de descendência comprovada.
O ponto mais sólido para sua hipótese é este: **Gênesis coloca os seres celestiais que tomam mulheres humanas depois da expulsão de Adão e Eva; 1 Enoque posteriormente desenvolve essa mesma passagem como a história dos Vigilantes.**
